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O Brasil tem condições de sair desta crise melhor do que quando ela surgiu. Esta foi a afirmação do economista Antônio Delfim Netto, durante a palestra A indústria brasileira e o cenário político-econômico internacional: tendências e desafios, realizada ontem à noite, no auditório da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra). Cerca de 200 pessoas prestigiaram o evento, entre empresários, jornalistas e estudantes universitários.
"Tenho uma boa notícia aos senhores: o mundo não vai acabar", declarou Delfim Netto, que iniciou a palestra com uma rápida abordagem da evolução da economia brasileira nos últimos 50 anos e a consolidação de seus fundamentos, sobretudo a partir de 2006, destacando pontos como a redução da dívida pública, o aumento do PIB e das exportações. Segundo Delfim, essa crise não é diferente das demais que o País enfrentou e encontra um cenário favorável, inclusive, para se tirar proveito das boas oportunidades que ela pode oferecer. "Quem tiver liquidez e sangue frio poderá ganhar muito dinheiro neste momento", afirmou. A explicação veio logo em seguida: Delfim Netto disse que o Brasil pode fortalecer o volume dos investimentos externos em projetos que sejam atrativos e garantidos. "O País vai crescer o quanto formos capazes de fazer com que ele cresça. Recebemos dois grandes presentes: um do mundo – que é a expansão global – e outro da natureza – que é o pré-sal. As perspectivas são boas", afirmou. Em sua opinião, se o Estado souber conduzir suas políticas no sentido de garantir a manutenção do fluxo de investimentos, o setor privado permanecerá confiante. "A confiança é o principal ingrediente da manutenção de investimentos, pois gera expectativas positivas em relação ao futuro", concluiu.
Na opinião dos empresários, a palestra de Delfim Netto, com apresentação do jornalista Heraldo Pereira, atendeu ao anseio do setor produtivo brasiliense. "A expectativa por notícias esclarecedoras é grande. A iniciativa de convidarmos um profissional do porte de Delfim Netto teve como objetivo justamente trazer um pouco de luz a esse ambiente sombrio que se formou em torno desta crise", observou o presidente da Fibra, Antônio Rocha da Silva. Segundo ele, a proposta teve resultados positivos. "Quem pôde ouvir essa verdadeira aula de economia brasileira certamente saiu daqui mais confiante", disse. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil (Sinduscon-DF), Élson Póvoa, o ensinamento foi bem claro. "A nossa crise é de confiança. Os bancos têm dinheiro e não estão confiando nos empresários brasileiros. Há capital, mas falta crédito. Nós precisamos unir forças com o governo para recuperar a credibilidade para investimentos", afirmou o representante de um dos setores mais afetados pela crise. |